Uma carta escrita por detentos da Penitenciária Estadual de Cascavel (PETBC), trouxe à tona denúncias graves sobre as condições da unidade prisional, no documento, divulgado neste domingo 19/01, os apenados relatam superlotação, abusos por parte dos agentes e ameaçam tomar atitudes extremas caso suas demandas não sejam atendidas.
Superlotação e tensões internas
Os detentos destacam que a penitenciária enfrenta um cenário de superlotação que torna insustentável o convívio interno, segundo o relato, o clima é agravado por intimidações, agressões físicas e coerção de familiares durante visitas. A presença de três facções criminosas rivais na unidade também contribui para o aumento da tensão e eleva o risco de conflitos violentos.
“Estamos sendo humilhados, e nossos familiares também sofrem com as intimidações”, afirma um trecho da carta.
Denúncias contra agentes penitenciários
Os presos apontam como principal alvo das acusações o chefe de segurança da unidade, a quem atribuem práticas de opressão, falta de diálogo e suposta omissão em casos de mortes ocorridas na penitenciária. Eles afirmam que as famílias dos apenados não foram devidamente informadas sobre os óbitos, que teriam sido encobertos.
“Não queremos medir forças, mas estamos sendo forçados a agir de maneira radical para defender nossos direitos e proteger nossas famílias”, destaca o documento.
Alerta de nova rebelião
A carta é explícita ao alertar para o risco de uma rebelião caso as denúncias não sejam apuradas e as condições na penitenciária não sejam melhoradas. Os detentos classificam a unidade como um "barril de pólvora prestes a explodir" e dizem temer que o episódio possa resultar em um "banho de sangue" de grandes proporções.
Resposta das autoridades
A Polícia Penal do Paraná informou que as denúncias serão investigadas, em nota, a instituição destacou que preza pela segurança e dignidade dentro das unidades prisionais e que eventuais irregularidades serão apuradas.
Especialistas em segurança pública apontam que a situação evidencia os desafios na gestão do sistema penitenciário do estado, incluindo superlotação e a convivência de facções criminosas, fatores que tornam o ambiente propenso a conflitos violentos.
O caso segue em investigação, e as autoridades não divulgaram detalhes sobre medidas emergenciais para evitar novos episódios de violência na unidade.
Confira a carta na íntegra:
Viemos através desta carta relatar e, ao mesmo tempo, pedir a atenção dos meios de telecomunicação em forma de um pedido de socorro. Não somos funcionários, mas sim a população carcerária da Penitenciária PETBC de Cascavel, onde não queremos regalias, apenas nossos direitos e a possibilidade de cumprir nossa pena de forma digna, pois estamos sendo humilhados. Não só nós, mas também nossos familiares, que estão sendo oprimidos e coagidos em nome do chefe de segurança. Tentamos dialogar com ele, mas não há diálogo, pois estão coagindo nossas visitas e até nossos filhos pequenos.
Não queremos medir forças, mas o chefe de segurança está nos forçando, como massa carcerária, a tomar uma atitude radical. Todos sabem que a unidade já teve duas rebeliões e nenhuma delas resultou em mudanças. Sempre a mesma opressão e desrespeito com nossos familiares. Jamais aceitaremos isso e não queremos chegar ao extremo, mas o chefe de segurança está nos obrigando a reagir. Se for necessário, daremos nossas próprias vidas em prol de nossas famílias e para acabar com a opressão, já que não há diálogo.
Estamos pedindo socorro, pois a unidade está em superlotação e é um barril de pólvora. A qualquer momento, pode explodir, e, infelizmente, será o maior banho de sangue da história desta penitenciária. Queremos que esta carta seja lida em canal aberto, pois estamos todos os dias assistindo à TV e pedimos ajuda de vocês, pois esta unidade se encontra com três facções rivais, e nós somos apenas a massa carcerária. Não queremos que chegue a tal ponto, mas se não nos derem atenção, nós, como criminosos, começaremos a agir aqui dentro e, lá fora, incendiando ônibus.
As mortes dentro da unidade já começaram, mas o chefe de segurança está omitindo e acobertando os fatos para as famílias dos envolvidos. Para a população de bem, estamos deixando claro nosso pedido de socorro e informamos que vamos reagir. E tudo isso será responsabilidade do chefe de segurança e dos demais envolvidos, que gostam de bater em presos algemados e humilhar a família.
Agradecemos a atenção e pedimos retorno dos órgãos públicos e da mídia, pois estamos assistindo à TV todos os dias.
Ass: Massa carcerária PETBC
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AbdallahNews