Uma nova era agrícola desponta no noroeste do Paraná, onde produtores locais estão transformando suas terras e perspectivas de vida com o cultivo de mamão. O pioneirismo na região é resultado de uma iniciativa do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), que em parceria com as prefeituras, vem incentivando a diversificação das culturas frutíferas, com ênfase no mamão.
Há quatro anos, o produtor rural José Carlos Salessi, de Umuarama, decidiu aceitar o desafio proposto pelo IDR-PR e se aventurou no cultivo de mamões, inicialmente com trezentas mudas doadas. “Foi uma surpresa que nunca imaginei na minha vida, mexer com mamão”, relata José.
Os Salessi não estão sozinhos nessa jornada. Anderson Cleiton Quinaia, genro de José e formado em Engenharia Agronômica, juntamente com sua esposa Beatriz Maria Salessi, deixaram suas profissões anteriores para se dedicarem integralmente ao novo negócio da família. “A rentabilidade foi excelente e nos últimos cinco meses nos dedicamos 100% à cultura do mamão”, conta Anderson.
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A variedade escolhida, 'Bela Nova', se destaca por seu peso ideal para comercialização (aproximadamente 1,8 kg) e sabor doce. Uma característica importante do mamoeiro é seu longo período produtivo. Após dez meses do plantio, a árvore começa a produzir frutas e mantém a produção por cerca de 14 meses.
Além do potencial produtivo, o porte da planta é outro diferencial. “A planta de porte mais reduzido facilita a colheita, que pode ser feita sem a necessidade de escadas ou plataformas, ao contrário de outras variedades que podem chegar a quatro metros de altura”, explica Bruno dos Santos Paschoal, técnico em agropecuária e extensionista do IDR-PR.
Na propriedade da família Salessi, que conta com um hectare e mil pés de mamão, são colhidas semanalmente cerca de 1500 frutas, todas comercializadas em Umuarama e cidades vizinhas. “A qualidade do produto tem garantido uma boa aceitação no mercado”, afirma Anderson.
Atualmente, existem apenas oito produtores de mamão em Umuarama e 76 hectares dedicados à fruta em todo o Paraná, comparados aos mais de nove mil hectares na Bahia, maior produtor nacional. Segundo Bruno, há um grande potencial de crescimento para o cultivo de mamão no estado, uma vez que 95% da fruta consumida no Paraná é importada de outras regiões.
Anderson e Beatriz já planejam expandir a produção, com mais dois mil pés de mamão. O que começou como um projeto desafiador tornou-se a principal fonte de renda da família, exemplificando como esforço e cooperação podem gerar resultados frutíferos.
“Foi uma nova descoberta, senti como se fosse um chamado”, reflete Anderson, enquanto José conclui, satisfeito por envolver a família no negócio: “Para mim é muito gratificante”.
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