No meio de tantas cobranças e induções, sejam elas políticas, religiosas, ou sócio-culturais, acabamos, muitas vezes, nos perdendo e confundindo valores. Por exemplo, quando questionamos uma criança – "O que você quer ser quando crescer?" –, esperamos uma resposta relacionada com a profissão que vai ter e não com o que realmente quer ser; ou seja, o que, de fato, realmente tem valor para você? Questões morais? Materiais? O ter ou o ser? Essas são questões básicas; porém, sinto que é necessário discutir, debater com intuito de esclarecer e, talvez, se reeducar para que possamos buscar mais qualidade de vida. Por onde começar, então?
Ao considerar o contexto ocidental, onde é predominante o sistema capitalista, de maneira velada, na maioria das vezes, somos persuadidos a competir em diversas esferas: seja no âmbito material, com o incessante consumo; seja no âmbito intelectual, na busca pela aglomeração de títulos e diplomas; e também no âmbito afetivo, quando, desde a infância, disputamos o amor dos pais, a posição de destaque referente aos irmãos e, quando adultos, tal embate se estende para os cônjuges, chefes, professores, entre outros. Comportamentos como estes, que diria alienantes, se resumem na canção de Cazuza: “Cansado de correr na direção contrária, sem pódio de chegada, ou beijo de namorada, eu sou mais um cara.”
Desejos desenfreados podem nos aproximar de comportamentos similares aos caninos, que quando se encontram em situação de rua, correm muitas vezes atrás de um carro e, logo que o mesmo para, o cachorro fica sem saber o que fazer; ou seja, consome energias correndo atrás do nada. Na velha máxima do senso comum: “Precisamos tomar cuidado para não acabar como um cachorro correndo atrás do próprio rabo”. Ou seja, antes de trabalhar com uma carga horária exacerbada, almejando a condição financeira adequada para arcar com as despesas de seu filho na faculdade, procure primeiro se questionar se ele vai querer fazer a faculdade, ou se, talvez, seja uma alternativa a universidade pública. Com a maior conscientização, nos preocupamos com outras questões como: ensinar nosso filho a gostar de estudar, brincar, ler, pintar, fortalecer vínculos.
Com toda esta dissertação, fica a intenção de que possamos reavaliar nossos valores intrínsecos e extrínsecos; ou seja, que eu possa nutrir aquilo que me satisfaz, como exemplo: ser uma pessoa gentil, mesmo em contrapartida com a grosseria do outro, e até mesmo no olhar externo, pois podemos perceber questões básicas como: o que tem mais valor, o ouro ou o oxigênio? Quando conseguimos compreender que as pequenas coisas podem se tornar grandes, nos tornamos mais fortes e equilibrados, pois o que nos derruba, na maioria das vezes, não é a pedra grande, pois nós enxergamos de longe e conseguimos desviar, mas as pequenas que parecem irrelevantes e, em muitas circunstâncias, despretensiosas, mas é a que nos faz tropeçar. Portanto, sente e reflita.
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