Duas grandes operações contra pirataria digital derrubaram, desde a última quinta-feira (27), mais de 550 serviços ilegais de streaming na América Latina, incluindo plataformas populares como My Family Cinema, BTV, Red Play e TV Express.
A ofensiva mais recente ocorreu no domingo (30), na Argentina, onde uma investigação do Ministério Público Fiscal de Buenos Aires retirou do ar 22 aplicativos piratas, entre eles BTV e Red Play. Esta é a segunda fase da operação iniciada em novembro, quando já haviam sido bloqueados outros 14 serviços, incluindo My Family Cinema e TV Express.
Três dias antes, no Brasil, a já conhecida Operação 404, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, cumpriu a oitava fase da ação e bloqueou 535 sites e um aplicativo de streaming, desde 2019, a força-tarefa atua no combate a violações de direitos autorais na internet.
Segundo a Alianza, entidade que reúne empresas do setor audiovisual contra a pirataria na América Latina, os aplicativos derrubados tinham mais de 6,2 milhões de assinantes ativos, sendo 4,6 milhões apenas no Brasil, muitas dessas plataformas são acessadas por meio das chamadas TV boxes, aparelhos que permitem transformar a TV em um dispositivo conectado a serviços ilegais.
Com os serviços fora do ar, milhares de usuários recorreram a plataformas como o ReclameAqui para pedir suporte e reembolsos, porém, como o consumo de conteúdo pirateado não gera relação de consumo formal, os clientes perdem seus direitos, conforme explicou o Procon-SP ao portal g1.
Como funcionava o esquema na Argentina
A investigação argentina, iniciada em setembro de 2024, revelou um esquema altamente estruturado de streaming ilegal, em agosto de 2025, buscas em quatro endereços encontraram verdadeiros escritórios corporativos que operavam como centrais de pirataria.
Havia até mesmo setor de Recursos Humanos e cerca de 100 funcionários, o que caracterizava um funcionamento empresarial robusto.
Os usuários pagavam até US$ 5 por mês (cerca de R$ 27), gerando um faturamento anual estimado em mais de US$ 150 milhões (aproximadamente R$ 800 milhões).
Segundo a Alianza, a Argentina virou base estratégica para atingir clientes de outros países, incluindo Brasil, México, Equador e África do Sul.
Enquanto as operações de marketing e vendas aconteciam no país, a estrutura técnica era hospedada na China, o que exigiu cooperação internacional e mais tempo para retirada dos serviços do ar.
Impacto e alerta ao consumidor
O cerco ao "gatonet" tem se intensificado nos últimos anos, e autoridades reforçam que, além do prejuízo ao mercado audiovisual, o uso de plataformas piratas expõe o usuário a riscos como roubo de dados, golpes e vulnerabilidades em dispositivos conectados.
Órgãos de defesa do consumidor alertam que assinantes dessas plataformas não têm garantia de suporte, reembolso ou proteção jurídica, já que os serviços são ilegais.
AbdallahNews
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