O dólar iniciou a segunda-feira dia 5, em forte queda frente ao real e voltou a ser negociado abaixo da marca de R$ 5, em uma das maiores movimentações recentes do mercado cambial brasileiro.
Por volta das 9h19, o dólar à vista recuava 4,65%, cotado a R$ 4,9746, na sexta-feira dia 2, antes do primeiro turno das eleições, a moeda havia encerrado o pregão em R$ 5,2173, os dados foram divulgados pela Reuters.
A forte valorização do real ocorreu após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, que contrariou parte das expectativas apontadas pelas pesquisas eleitorais, o senador Flávio Bolsonaro terminou a primeira etapa na liderança, com cerca de 47% dos votos válidos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou com aproximadamente 45%.
Os dois candidatos avançaram para o segundo turno, marcado para o dia 25 de outubro.
Mercado reage ao novo cenário
A reação dos investidores foi imediata, além da queda do dólar, os contratos futuros e os ativos brasileiros negociados no exterior registraram forte valorização.
Segundo a Reuters, o resultado eleitoral aumentou a percepção entre investidores de que poderá haver mudanças na condução econômica do país, especialmente em relação às contas públicas, reformas, gastos governamentais e ambiente para investimentos.
Analistas ouvidos pela agência também apontaram que o desempenho de Flávio Bolsonaro ficou acima do esperado por pesquisas divulgadas antes da votação, contribuindo para a reprecificação dos ativos brasileiros.
O Ibovespa também abriu o dia em forte alta, nas primeiras horas de negociação, o principal índice da Bolsa brasileira chegou a avançar cerca de 8%, atingindo a marca de 207 mil pontos, segundo dados publicados pelo UOL.
Queda pode continuar?
Apesar da forte movimentação desta segunda-feira, especialistas alertam que o cenário ainda pode mudar até o segundo turno.
A disputa eleitoral deve continuar influenciando diretamente o mercado nas próximas semanas, para os investidores, declarações dos candidatos, propostas econômicas, composição do Congresso e sinais sobre responsabilidade fiscal estarão entre os principais fatores acompanhados.
A Reuters informou que algumas instituições financeiras projetam possibilidade de o real continuar se valorizando caso o cenário político confirme expectativas consideradas favoráveis pelo mercado, o Société Générale, por exemplo, projetava o dólar em torno de R$ 5,10 ao final de 2026 e possibilidade de ficar abaixo de R$ 5 no primeiro semestre de 2027.
Reflexos para os brasileiros
Uma queda expressiva do dólar pode trazer impactos positivos para consumidores e empresas que dependem de produtos, equipamentos ou serviços cotados na moeda americana.
Importadores, empresas que compram equipamentos no exterior e consumidores que planejam viagens internacionais podem ser beneficiados caso o real mantenha a valorização.
Por outro lado, empresas brasileiras que recebem grande parte de suas receitas em dólar podem sentir efeitos negativos com uma moeda americana mais barata.
O movimento desta segunda-feira, portanto, ainda não representa necessariamente uma nova realidade permanente para o câmbio, com o segundo turno pela frente, o mercado deve continuar reagindo às novas informações do cenário político e econômico brasileiro.
AbdallahNews